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Dia
de Pentecostes
O
dia de Pentecostes, celebrado 50 dias após o domingo de Páscoa,
passa a fazer parte do calendário oficial do município. A partir
deste 30 de maio a data que comemora o Divino Espírito Santo,
padroeiro da cidade e da Diocese de Bauru, é um feriado municipal. A
lei é de autoria do vereador José Clemente Rezende, que é atuante
na Igreja Católica através da paróquia de São Benedito e do
Movimento de Cursilhos e Cristandade. Para ele a lei contribui para o
engrandecimento dos festejos do padroeiro da cidade. “Com esta lei,
homenageamos também a Catedral do Divino Espírito Santo, que faz
parte da história de Bauru, precedendo, inclusive, sua emancipação
político-administrativa”, afirma. O pedido para que o projeto se
tornasse lei foi de Lucilene Ribeiro de Lima Fernandes, que trabalha
no Departamento de Patrimônio Imobiliário da Cúria Diocesana e é
coordenadora da Pastoral da Comunicação da Diocese. O Projeto de Lei
que foi aprovado em plenário da Câmara Municipal, transformou-se na
Lei Municipal nº 5007 de 9 de setembro de 2003.
Saiba
mais sobre o Divino Espírito Santo e a importância dessa Lei,
especialmente no ano em que a Diocese de Bauru completa 40 anos, na
entrevista com o padre Luís Antônio Carqueijo Sé, vigário geral da
Diocese e pároco da Catedral.
Entendendo
o Espírito Santo
“O
Espírito Santo é uma figura bem determinada no novo testamento, ele
era chamado de intercessor, de consolador. Um texto em que ele está
bem presente e sua imagem é mais difundida é quando Jesus é
batizado e a imagem de uma pomba fica sobre Ele. Daí vem a idéia da
pomba que representa o Espírito Santo. Outra imagem é a do
Pentecostes onde os apóstolos estão reunidos e sopra o vento. Outra lembrança do Espírito Santo
é a das línguas de fogo que aparecem
sobre os apóstolos e a partir daí eles partem para o trabalho de evangelização
mais intenso.
A
figura do Espírito Santo vem dentro do Novo Testamento. Apesar de não
ser uma figura humana, que a gente tenha uma imagem certa, quando a gente fala três pessoas, são três pessoas diferentes
em um único Deus, daí a idéia do Espírito Santo sem uma imagem
determinada, mas que é uma pessoa. E dentro da Igreja é a pessoa que
a impulsiona e aparece em determinados momentos, até nos momentos
mais críticos, e que dá a indicação do caminho. Assim como
aconteceu em Pentecostes aconteceu em outros momentos dentro da
Igreja. Acredito que o último momento muito forte é quando veio o
Concílio Vaticano II. A gente percebe toda uma ação que é uma ação
de Deus, ação ligada ao Espírito Santo, ação que impulsiona a
missão evangelizadora da Igreja”.
Pentecostes
“Data
que para alguns autores é a de nascimento da Igreja. Quando os apóstolos
estavam com medo da perseguição a ação do Espírito Santo os
impulsionou. Como no discurso de Pedro que prega e todos os povos
entendem: isso é ação do Espírito Santo. Ela é voltada para fora,
leva a sair e enfrentar povos, línguas e mentalidades diferentes. E a
linguagem que une tudo isso é a linguagem do Evangelho, do amor, da
paz, da solidariedade, da fraternidade. Essa linguagem todos os povos
entendem e desde Jesus essa foi a prática que a Igreja adotou, não
é para um único povo, para uma única língua, para uma única
mentalidade. Por isso a Igreja é chamada de universal, não porque
ela está em todo o mundo, mas porque o Evangelho é universal, o
Evangelho é para todos. Isso segue também a atuação de Jesus, que
não falou somente aos judeus, mas aos samaritanos, aos doentes, aos
pecadores, aos romanos. O Espírito Santo é aquele que faz com que
todos os acontecimentos sejam concluídos”.
Viver
segundo o Espírito Santo
“Viver
a fé no Espírito Santo não é só uma questão de oração, é uma
questão de postura diante dos desafios que surgem e acreditar que
apesar do desafio ser grande eu vou conseguir vencê-lo impulsionado
pela ação do Espírito Santo. Como em Pentecostes: os apóstolos
estavam com medo de sair porque os judeus eram muito mais poderosos, a
força do Sinédrio era grande, tinha a guarda de Roma e quem eram
aqueles homens, maioria de pescadores? Eram homens limitados para
fazer tudo aquilo que era pedido a eles, o desafio era muito maior. Eu
vejo a ação do Espírito Santo hoje na Igreja justamente na
realidade que vem se apresentando: quando todo mundo está falando
para fazer a guerra, nós estamos falando para fazer a paz, mesmo que
isso signifique você ser apontado. Nem tudo que o mundo apresenta,
que a globalização apresenta, a gente pode engolir facilmente,
precisa saber filtrar e o Espírito Santo ajuda nessa ação de
filtro, de ver aquilo que é bom e a gente pode aproveitar e fazer o
diálogo com o mundo, ser crítico diante do que for preciso: não
podemos aceitar a injustiça, a guerra, a violência”.
Relação
da Diocese com o padroeiro
“A
relação começa antes mesmo de existir a Diocese de Bauru, quando
havia a primeira capela da cidade, que era dedicada ao Espírito
Santo, já na praça Rui Barbosa. Ela deu lugar a Catedral. Essa capela já
existia antes mesmo de Bauru se tornar um município. Em 1898, essa
capela foi elevada a primeira paróquia da cidade. Talvez a
dificuldade da cidade seja o fato de que não é um santo, com uma
imagem definitiva, pode ser a pomba, o vento, a língua de fogo, mesmo
que seja algo mais forte que um “único santo”, por justamente ser
uma das pessoas divinas. A gente tem um padroeiro forte mas às vezes
as pessoas não percebem. Muitas têm relação com essa
igreja, por ser a matriz, por ter sido a primeira igreja, às vezes a
relação é mais forte com a paróquia do que com a idéia do Espírito
Santo. Há uma ligação afetiva com a paróquia. Acredito que a relação
afetiva com a Diocese agora começa a melhorar um pouco com a difusão
do próprio Espírito Santo, como padroeiro”.
Dia
de Pentecostes
“A
presença das pessoas no dia de Pentecostes tem melhorado, com
incentivo da própria Diocese no sentido de reconhecer o Espírito
Santo como seu padroeiro. A participação tem aumentado em eventos e
celebrações. A gente tem que incentivar os eventos, as celebrações,
para que as pessoas entendam que o nosso padroeiro está presente na
Diocese. Aqui na região não há a mesma relação como em outras
localidades do país, onde têm tradicionais festas do Divino, que
atingem a cidade toda. Principalmente em cidades do litoral essa relação
é mais forte, devido ao costume trazido pelos açorianos”.
Comemorações
dos 40 anos e Pentecostes
“O
enfoque das comemorações é religioso. Há 40 anos um território
era desmembrado de outras Dioceses, foi nomeado um bispo, então a
partir daí se tem uma ação muito mais eficaz, muito mais direta da
Igreja nessa área, porque antes pertencíamos a Botucatu. Você tem
muito mais próximo do povo a ação direta da Igreja, a evangelização
se torna mais rápida. A nossa Diocese tem a felicidade de não ser
muito grande. O acesso dos padres e do bispo, dos leigos, dos
documentos, dos movimentos, das pastorais é muito mais ágil. A distância
sendo menor, a ação é mais eficaz, a ação evangelizadora acaba
sendo melhor organizada, é fácil o contato com as outras cidades.
Quando a gente comemora 40 anos a gente comemora tudo isso: 40 anos de
ação evangelizadora da Igreja nesse território que chamamos de
Diocese de Bauru. É lembrar uma história, dos bispos que vieram, dos
padres que estiveram antes, de toda uma base que foi construída para
se ter a Diocese, para chegar àquilo que a gente tem hoje. Precisamos
também lembrar que o que a gente tem hoje precisa ser preparado para
a Igreja que vem no futuro. Bauru não é hoje o que era há 40 anos, as outras cidades
também não. Temos um clero diferente, temos leigos diferentes”.
Unidade
“Algumas
coisas nos unem, como o fato de sermos Diocese, temos um bispo, temos
um plano pastoral para ser desenvolvido e a presença da Igreja na
região é forte. Há um reconhecimento da sociedade civil diante de
tudo aquilo que a Igreja construiu. Aqui em Bauru não dá para
dissociar a história da cidade com a história da Igreja, o mesmo
acontece nas outras cidades, as coisas estão entrelaçadas.
Como
melhorar a unidade? Na medida em que eu entendo que isso é meu, que
eu faço parte desse conjunto ao qual chamamos Igreja Particular de
Bauru, Diocese de Bauru. Embora eu esteja na Paróquia do Divino Espírito
Santo, amanhã posso estar em outra. Eu estou junto com essa Igreja,
que é universal, trabalhando nesse território muito específico, o
meu trabalho é aqui, eu fecho com essa Diocese, com essa realidade
minha, eu brigo para que essa Igreja seja melhor. É vestir a camisa,
não ter medo de dizer quem eu sou, não ter medo de mostrar ação, aí
a gente começa a ter unidade, na medida que a identidade se torna mais
forte”.
Pentecostes
no calendário oficial do município
“É
o reconhecimento pela sociedade civil da participação da história
da Igreja dentro da história da cidade. O reconhecimento de que o Espírito
Santo é o padroeiro da cidade. A gente fala de uma Câmara Municipal
que não tem só católicos e Pentecostes é uma data reconhecida também
por outras religiões. Esse decreto-lei coloca realmente algo que
estava faltando, como em outras cidades em que o padroeiro é
reconhecido, tem uma festa em que a sociedade civil participa, não só
a Igreja. A mesma coisa a gente precisa trabalhar para ter aqui. A
Igreja não está isolada da sociedade, está trabalhando junto com a
sociedade, ela tem a sua parcela de contribuição a dar, ela tem sua
posição livre, independente, para criticar a coisa quando ela não
funciona, mas ela está dentro da sociedade. Essa lei é o que está
ajudando a fazer essa ponte da Igreja presente em Bauru com a
sociedade na qual ela está inserida. A gente espera que a divulgação
da lei ajude a gente a celebrar melhor essa data, junto com a cidade.
Por isso é importante a gente lembrar que a festa do Espírito Santo,
do padroeiro, não é só padroeiro da Catedral, mas da Diocese e da
cidade. É importante que todos se lembrem disso”.

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