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Jovens representaram a Diocese no Encontro Nacional da PJ

 

Edilene Souza e Vivian Fabrício, da equipe diocesana da Pastoral da Juventude, representaram a Diocese de Bauru no 8º Encontro Nacional da Pastoral da Juventude, de 8 a 15 de janeiro de 2006. Cerca de 450 jovens de 24 estados e do Distrito Federal participaram do evento, que ocorreu na Faculdade Metrocamp, na cidade de Campinas.

Marcado pela diversidade de experiências, sotaques e culturas, o encontro reuniu lideranças juvenis da PJ de todo o país sob o tema “Construindo a Vida e Celebrando a História” e o lema “Eu vim para que todos e todas tenham vida” (Jo 10, 10).

O 8º ENPJ propiciou oportunidades ricas de debate, de reflexão, de partilha, de troca de experiências e de celebração. O evento permitiu um olhar mais aprofundado da realidade juvenil, a construção de propostas para a aplicação do Plano Trienal da PJ, o estudo do Processo de Educação na Fé, e a celebração dos 27 Anos de Puebla e do martírio de Dom Oscar Romero.

Analisando a realidade apresentada no encontro, Vivian Fabrício notou nos relacionamentos com coordenadores e assessores de todo o Brasil que os problemas vividos na Diocese com relação a juventude se repete em inúmeros lugares. “Não estamos sozinhos. Vimos o quanto temos que fazer por nossa Diocese. Temos que formar lideranças que tenham o espírito e a maneira de agir da Pastoral da Juventude. Temos que fazer com que a juventude reconheça a sua realidade e a partir dela viva sua espiritualidade e sua fé”, afirmou. “Temos que optar preferencialmente pelo jovem. Tentamos buscar o jovem que está excluído nas ruas e muitas vezes excluímos os jovens que estão dentro de nossas igrejas”, concluiu.

 

Saiba mais sobre o encontro

 

A construção

A juventude paulista, especialmente de Campinas, se preparou da melhor maneira para receber os delegados do Encontro. E foram chegando aos poucos.  O evento foi aberto oficialmente na tarde do domingo, dia 8, pelo Bispo responsável pela PJ no Estado de São Paulo, D. Gorgônio Alves da Encarnação, e pelo Arcebispo de Campinas, D. Bruno Gamberini.

A semana começou a todo vapor no segundo dia do Encontro, com depoimentos de jovens que partilharam experiências sobre diferentes realidades vividas pela juventude, como indígena, ribeirinha, migrante, bóia-fria, homossexual e de morador de rua. Mas os jovens delegados também puderam se expressar na fila da juventude. Manifestaram diferentes realidades e provocações. Questões presentes nas falas de vários deles foi falta de políticas públicas que atendam as necessidades desta faixa da população brasileira.

No 8º ENPJ, a discussão sobre as realidades da juventude foi enriquecida pela participação de especialistas no assunto, como da socióloga Regina Novais, do Padre Jesuíta Hilário Dick e do mestrando em sociologia Renato Almeida.

O terceiro dia reservou um mergulho dos delegados à realidade social e cultural da região de Campinas. Em missão, os jovens visitaram realidades como assentamento de trabalhadores rurais, unidades da Febem, projeto de valorização da cultura afro-descendente com adolescentes em situação de risco e bairro com alto índice de prostituição.

 

Espiritualidade libertadora

Com a presença de D. Luciano Mendes, Arcebispo de Mariana, a quarta feira foi dedicada à celebração dos 27 Anos de Puebla – a conferência episcopal notabilizada pela opção da Igreja da América Latina pelos pobres e pelos jovens. Ele participou da conferência e pôde transmitir, com o próprio testemunho, a força da espiritualidade libertadora e da mística da luta. “Como Cristo, temos de sair dos porões e levar vida à humanidade”, disse o arcebispo. D. Luciano salientou que a sociedade, inclusive a juventude, precisa se libertar de vírus imperceptíveis, mas que dilaceram a sociedade, como a cobiça, a ganância, o consumismo, a acumulação, a violência, que fazem milhões de pessoas sofrerem no país. Segundo ele, a verdadeira libertação é a capacidade de amar, de partilhar, o que fica claro na mensagem da Eucaristia. Ele ainda sublinha: “a desigualdade social mostra que vivemos em um país que não assimilou a vontade de Jesus Cristo”.

Assessorado pelo Padre Hilário Dick, o Processo de Educação na Fé foi a temática trabalhada na quinta-feira. Ele lembrou que discutir fé sem experiência pessoal e grupal é discurso vazio. “Na fé que vivo, mora a utopia e pela utopia damos a vida”. Dick também destacou que fé é algo que se constrói e dá sentido e motivação à vida. “O que nos dá felicidade é o sentido que temos na vida”, disse.

Nos últimos dias do encontro, os delegados trabalharam os projetos do Plano Trienal da PJ. Em oficinas, os jovens discutiram e elaboraram pistas e propostas para a implementação dos seguintes projetos: Caminhos de Esperança, Mística da Construção, Ajuri, Teias da Comunicação e Juventude quer Viver.

No 8º ENPJ, a Secretária Nacional da PJ, Elen Linth Dantas, destacou a importância histórica da articulação do Conselho Nacional da Juventude, no qual a Pastoral da Juventude possui assento. No entanto, lembrou que se trata de uma instância que precisa ter seu caráter aperfeiçoado. Algumas das lutas dos movimentos juvenis pelo fortalecimento do CNJ são: dotação orçamentária própria, poder deliberativo e votação direta pelos jovens para eleição dos representantes no conselho. No Encontro, os delegados também aprovaram moções diante de diferentes realidades juvenis e nacionais, como repúdio contra a redução da maioridade penal e ao seguimento, a qualquer custo, da transposição do Rio São Francisco.

Construído pelos mais de 400 jovens, representantes do rosto da juventude brasileira, o 8º ENPJ foi encerrado com emoção e com o desejo de que as reflexões e ações planejadas durante o encontro atinjam a realidade da Pastoral da Juventude de todos os cantos do país, para que todos os jovens do país tenham vida, e o tenham em abundância.

 

Texto de Clivonei Roberto