“O
mistério da Morte e Ressurreição de Jesus nos diz que vale a pena amar”
Na Sexta-feira Santa,
dia 14 de abril, o bispo diocesano de Bauru, Dom Luiz Antônio Guedes,
presidiu a celebração na Catedral do Divino Espírito Santo. A cerimônia
foi concelebrada pelo padre Luís Antônio Carqueijo Sé, pároco da Catedral.
Veja algumas imagens:
Fotos: Luís Henrique
Marques
No Domingo de Páscoa, o
bispo também presidiu a missa na Catedral, mais uma vez ao lado do seu
pároco, padre Luís Sé. Leia a seguir a transcrição da homilia, feita a
partir da transmissão da missa pela Rádio Jovem Auriverde, no dia 16 de
abril, às 7h30.
Homilia de Dom Luiz Antônio Guedes no Domingo de Páscoa – dia 16 de abril
de 2006
Querido irmão e amigo,
Padre Luís Antônio, Pároco da Catedral e Vigário Geral da nossa Diocese,
queridas religiosas, queridos irmãos e irmãs em nosso Senhor Jesus Cristo.
“Este é o dia que o
Senhor fez para nós, alegremo-nos e nele exultemos”.
Nosso Deus é
infinitamente bom. Nosso Deus se basta a si mesmo. Ele não precisa de
nada. Entretanto, quis transbordar o seu amor e, para isso, Ele nos chamou
à existência para participarmos da sua vida, da sua intimidade, através da
graça. Ele nos chamou para vivermos com Ele uma aliança de amor, um
relacionamento de amizade. Criou-nos para sermos felizes. Nossa
experiência humana, nossa história, nos mostra que nem sempre somos
felizes. E a nossa fé nos diz que isso se dá porque não nos abrimos para a
oferta de Deus, não acolhemos, muitas vezes, o seu convite. Na nossa
história, freqüentemente, está presente o ‘não’ a Deus. E o ‘não’ para
Deus torna impossível a felicidade da humanidade. Mas Deus não desiste do
seu projeto de amor. Continuamente, toma a iniciativa para que nós
compreendamos o seu amor, adiramos a ele e sejamos felizes. Deus tem sede
e fome de ser amado por nós, não porque Ele precise do nosso amor – porque
Ele se basta – mas porque Ele sabe que é bom para nós amar a Deus. Amar a
Deus nos faz felizes e realizados. E para nos ajudar, Ele enviou seu Filho
Jesus, Deus que se encarnou e nasceu da Virgem Maria, passou pela Terra,
como ouvimos na Primeira Leitura, fazendo o bem e que, finalmente, deu o
sinal maior de amor que é entregar a sua própria vida por nós. Não
reservou nada para si, entregou tudo, entregou a própria vida. É
interessante que na oração de ontem à noite, na Vigília Pascal, depois da
Primeira Leitura que falou da criação, se fez a ligação com a missão de
Jesus: “Ó Deus, admirável na criação do ser humano, e mais ainda na sua
redenção...” Deus quer que amemos. Amemos a Deus e amemos o próximo,
amemo-nos uns aos outros. Mas Ele quer isso, não por um capricho, não
porque Ele precise, mas porque Ele sabe que só amando e nos transcendendo,
ultrapassando-nos a nós mesmos, poderemos ter uma vida realmente
realizada, uma vida autêntica. E é isto que Jesus quis nos ensinar; e é
por isso que Ele deu a sua vida. Ele não ficou derrotado na morte, Ele
ressuscitou. Este mistério da Morte e Ressurreição de Jesus nos diz assim:
vale a pena amar. Quem dá a sua vida, ganha a sua vida. Quem, pelo
contrário, quer conservar a sua vida para si, perde a sua vida. Vive uma
vida com sentido quem entrega a sua vida, quem dá a sua vida. É na doação
que nós nos recuperamos, é na doação que nós nos realizamos e nos
tornamos, mais plenamente, seres humanos, imagem e semelhança de nosso
Deus. A vitória de Jesus nos atingiu em nosso batismo. A festa da Páscoa é
a festa da vitória de Jesus, mas é também a festa da nossa vitória. Nós
fomos mergulhados na morte com Cristo e ressuscitamos com Ele para uma
vida nova. A festa da Páscoa vem revigorar, vem revitalizar, vem
fortalecer nossa vida batismal, nossa vida cristã. Nós ouvimos na segunda
leitura, extraída da Carta aos Colossenses, um convite a vivermos para as
coisas do alto, onde está Cristo sentado à direita de Deus, pois nossa
vida está escondida, com Cristo, em Deus. Não se trata de uma oposição
entre Céu e Terra, entre espírito e carne. Trata-se de uma escolha daquilo
que realmente são valores. O amor, a comunhão, a paz, o perdão, a
solidariedade são coisas do alto. O ódio, a violência, a discriminação são
de baixo. Somos chamados a renunciar a estas e a assumir aquelas, com a
certeza que a vitória de Jesus nos dá de que o amor tem mais futuro do que
o ódio, a vida tem mais futuro do que a morte e a comunhão e a
solidariedade têm mais futuro do que o egoísmo e a violência. A vitória,
assegurada pela Ressurreição de Jesus, garante que quem está decidido a
fazer o bem terá a vitória final. Por isso a nossa celebração de hoje – e
desses cinqüenta dias de Páscoa – é marcada por um canto que não cantamos
na quaresma: o Aleluia. Aleluia não é uma palavra, mas a junção de
palavras, a síntese de uma frase. “Alelu” quer dizer louvai e “ia” é a
abreviatura de Iavé. O significado, portanto, é: “louvai a Javé”, “louvai
o Senhor”. É o canto mais feliz e mais festivo da Igreja, que brota do
nosso coração, desde o momento em que na Vigília Pascal celebramos a
ressurreição de Jesus e agora se prolonga pelos cinqüenta dias da Páscoa e
por todo ano, com exclusão do tempo da quaresma, tempo de penitência, de
recolhimento e de preparação para agora nós proclamarmos: Jesus está vivo,
como Maria Madalena proclamou, ela que foi a primeira a encontrar-se com
o Ressuscitado, como Pedro, que foi o primeiro pregador a anunciar. Maria
Madalena foi a primeira a levar o anúncio aos discípulos e Pedro o
primeiro apóstolo a anunciar à humanidade a vitória do Senhor. “Este é o
dia que o Senhor fez para nós, alegremo-nos e nele exultemos. Aleluia,
aleluia, aleluia”!
* O texto acima se trata de uma
transcrição à partir de uma gravação.