Retomo a reflexão sobre a cruz, do domingo passado. A cruz é tema recorrente na Quaresma. E na vida cotidiana também. Ela está fincada no mundo e na história humana. Não adianta fugir dela. Este sinal de opróbrio se tornou, no dizer de São Paulo, “a força e sabedoria de Deus”. (1Cor 1,23s)
Um mundo sem sofrimento, como escreveu Aldoux Huxley no seu “Admirável Mundo Novo”, seria possível existir se possível fosse um mundo sem amor verdadeiro.
Como Deus pode tudo no amor e não pode nada no mal, Ele não livrou Jesus da cruz. A cruz é símbolo de que Deus se tornou um humano e sofreu como um humano. E para os homens ela sinaliza que eles sofrem com Deus e por isso entram na esfera do divino.
São Francisco é considerado o mais perfeito imitador de Cristo, tanto que recebeu no corpo os estigmas do Crucificado. Edith Stein, judia que do mosteiro foi levada ao campo de concentração, viu na cruz a paixão não só de Cristo, mas de seu povo e da humanidade.
Salve ó cruz, sinal do amor de Deus por nós e do nosso amor por Ele. Amém.
Dom Caetano Ferrari
Bispo Diocesano de Bauru