As igrejas Católica, Anglicana e algumas protestantes iniciam hoje a Quaresma, período de 40 dias que antecede a Páscoa, a festa maior do cristianismo, que marca a ressurreição de Jesus Cristo e será celebrada no dia 4 de abril. Neste período, os cristãos são convidados à reflexão e conversão. Em Bauru, o início da Quaresma será lembrada com a celebração da missa de Cinzas pelo bispo dom Caetano Ferrari, às 19h, na Catedral do Divino Espírito Santo.
De acordo com o padre Marcos Pavan, durante este período, os fiéis são convidados à penitência e à meditação por meio da prática de jejum, da esmola e da oração. “Estes dias antecedem a Páscoa, festa máxima do cristianismo, que marca a ressurreição de Cristo, e tem como objetivo aprofundar a conversão, a penitência, a oração e a caridade. Tudo isso deve acontecer para nossa melhora espiritual, nosso crescimento na fé”, explica.
A Quaresma tem início na quarta-feira de Cinzas e término na quinta-feira Santa, na celebração da última ceia de Jesus Cristo com os 12 apóstolos. Segundo Pavan, os 40 dias da Quaresma também representam o período em que Jesus passou no deserto. “Ele sofreu tentações, mas resistiu e cumpriu sua missão. Neste tempo, ele orou e jejuou”, conta.
“Por isso, o jejum é seguido por muitos fiéis, mas estes precisam ter em mente que o jejum deve ter o sentido de partilha, não devem apenas jejuar por jejuar. Deve significar que estou partilhando com alguém o alimento do qual estou me privando no momento”, acrescenta. Entre os símbolos da Quaresma está a cor roxa, que é sinal de luto e penitência. Até a Páscoa ela fica estampada em diversas igrejas do mundo.
Campanha da Fraternidade
A quarta-feira de Cinzas também marca o início da Campanha da Fraternidade (CF). Realizada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), neste ano ela traz o tema “Economia e Vida”. Com o lema “Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro”, deve levar 50 mil comunidades cristãs a discussões sobre economia.
De acordo com o padre Marcos Pavan, a CF faz uma crítica à política econômica mundial, em que serve a minoria e tem como marca a desigualdade social. “Como ocorre todos os anos, a Campanha da Fraternidade é uma oportunidade para discutir, mudar a mentalidade e tentar fazer diferente. O tema tem como principal fundamento o Evangelho de Jesus Cristo para que todos possam servir a Deus e aos irmãos”, explica.
“É neste sentido que queremos denunciar essa economia predatória em que vivemos atualmente. Precisamos buscar uma economia solidária, que atinja as camadas mais pobres. É uma campanha que defende a vida”, complementa. Esta é a terceira vez que a CF tem caráter ecumênico, repetindo o formato já adotado em 2000 e 2005.
Crítica
Com textos e gráficos, a Campanha da Fraternidade (CF) 2010 tem por objetivo a conscientização dos cristãos sobre alguns temas econômicos que são pouco conhecidos por grande parte da população. Em relação à dívida interna brasileira, por exemplo, o manual diz que “apesar dos gastos com juros e amortizações da dívida pública consumirem mais de 30% dos recursos orçamentários do País, essas dívidas não param de crescer. A dívida interna alcançou a gigantesca cifra de R$ 1,6 trilhão em dezembro de 2008, tendo apresentado crescimento acelerado nos últimos anos”.
Segundo o texto da CF, a dívida inviabiliza a aplicação de recursos na área social. A campanha também defende a realização de um plebiscito sobre a limitação do tamanho das propriedades rurais do País, e propõe que as comunidades se mobilizem para conseguir assinaturas suficientes para transformar essa proposta em lei de iniciativa popular. Em Bauru, uma missa realizada no próximo domingo, às 10h, na Catedral do Divino Espírito Santo, marca a abertura da campanha na cidade.